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Câncer de intestino: Prevenção PDF Imprimir E-mail
Escrito por Drauzio   
terça, 15 de abril de 2008

Todos sabem que o intestino compreende duas grandes regiões. Uma parte mais fina chamada intestino delgado que está relacionada com a digestão e a absorção dos alimentos e uma mais grossa, o intestino grosso, responsável pela absorção da água, armazenamento e eliminação dos resíduos da digestão. Câncer nessa região mais fina do intestino é muito raro. Em geral, ao longo de toda a carreira, o médico não vê mais do que meia dúzia de casos. Em compensação, câncer no intestino grosso é muito freqüente. A doença começa sempre como uma lesão benigna que vai evoluindo lentamente até transformar-se num tumor maligno. Nessa fase de benignidade, que é longa, é possível retirar a lesão e com isso impedir sua degeneração e o aparecimento do câncer.

Colonoscopia
 

Drauzio - Você disse que com a idade aumenta o risco de desenvolver câncer de cólon e que, além dos já citados, existe um método de prevenção altamente eficaz que infelizmente a maioria da população não conhece ou não tem acesso a ele. É a colonoscopia. Em que consiste esse exame?
Angelita Gama - Antes de falar na colonoscopia, quero dizer que cigarro e álcool também promovem aumento de casos de câncer de intestino como acontece com os demais órgãos, pulmão, bexiga, etc. Em relação à prevenção do câncer de reto, o diagnóstico é muito simples, porque pode ser feito pelo exame de toque retal no consultório. Já o diagnóstico de câncer de cólon exige um exame chamado colonoscopia, cuja descoberta representou o maior avanço no conhecimento das doenças do aparelho digestivo. Ele começou a ser realizado na década de 1970 e, por meio da introdução de um aparelho longo, flexível à semelhança do que se usa para o estômago permite a identificação não só de processos inflamatórios como até de pequenos pólipos. Pólipo é uma verruga que começa bem pequena, do tamanho de uma cabeça de alfinete, sob a mucosa do intestino. Seu crescimento (e conseqüentemente a elevação da mucosa) é lento e ele leva de 10 a 15 anos para degenerar-se num câncer. Isso o câncer de intestino tem de vantagem se comparado com os demais que já se instalam como tumor maligno. É possível reconhecer o fator que o precede, uma vez que começa como um pólipo que cresce bem devagarinho.

Drauzio - Isso garante uma longa oportunidade de prevenção.
Angelita Gama - Por isso sou entusiamadíssima com a prevenção do câncer de intestino. A colonoscopia é um exame que detecta precocemente o câncer, quando ele já existe, e também o previne, pois permite a identificação e a ressecção do pólipo antes que se torne um tumor maligno ou o diagnóstico precoce da doença. O procedimento é bastante simples. Passa-se uma alça por dentro do aparelho, abraça-se a cabeça do pólipo, retira-se e manda-se examinar. Sem pólipo, não haverá mais câncer.

Drauzio - Na verdade, a colonoscopia é um exame para diagnóstico, tratamento e prevenção de câncer de intestino.
Anagelita Gama - Se o governo tomar consciência dessa verdade, será benéfico para o indivíduo em particular, para a população em geral, e muito mais econômico para o próprio governo. Do ponto de vista de gastos em reais, é muito menos custoso promover a prevenção pela colonoscopia do que tratar o câncer de intestino que requer atendimento especializado, demorado e que envolve alta tecnologia, porque nem sempre só a cirurgia resolve o problema. Com freqüência, é preciso recorrer à quimioterapia e radioterapia. Adultos com os sintomas já citados, em especial adultos com anemia, devem obrigatoriamente fazer esse exame, já que nessa faixa etária ela é a causa mais freqüente de câncer do lado direito do intestino, uma doença com excelente prognóstico quando diagnosticado precocemente. Para aqueles que não têm sintomas é indicado um exame preventivo chamado rastreamento. Se não nada for encontrado, esse exame deverá ser repetido só cinco anos depois.

Drauzio - Na imagem 1 aparece um pólipo visto pelo colonoscópio dentro do intestino.
Angelita Gama - Quando o pólipo tem um pedículo, ou seja, esse rabinho parecido com um cogumelo, é mais facilmente retirado pelo aparelho. Na imagem 2, aparece a pinça que passou por dentro do aparelho e abraçou o pedículo que foi extraído e mandado para exame microscópico. Diante do resultado, o cirurgião ou o gastroenterologista definirá se essa ressecção foi suficiente ou não. No caso de degeneração maligna ter comprometido o pedículo, é preciso indicar a ressecção de um segmento do intestino.

Drauzio - Como nessa fase em que é feita a nova cirurgia a doença é curável em 100% dos casos, o câncer de cólon não precisaria existir.
Angelita Gama - É uma doença que poderia ser evitada. Não seria exagero dizer que hoje só terá câncer de intestino quem quiser, pois se espera que num futuro próximo a população menos favorecida também tenha acesso aos exames colonoscópicos.

Drauzio - Dói fazer esse exame?
Angelita Gama - Não dói. É um exame rápido, feito sob sedação, que pode ser realizado no consultório, em ambulatório ou até em hospital. O único desconforto é que exige uma limpeza do intestino, um preparo com limonada purgativa que determina uma diarréia intensa.

Drauzio - O intestino precisa estar bem vazio para que se possa enxergar direito seu aspecto interno.
Angelita Gama - Qualquer exame no intestino exige esvaziamento. Atualmente, já existe a colonoscopia virtual que não requer a passagem do aparelho. É uma tomografia que registra o diagnóstico. No entanto, se for detectado um pólipo, temos de recorrer à colonoscopia convencional para retirá-lo.

 
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