| O RISCO DOS ESTEREÓTIPOS |
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| Escrito por Max Gehringer | |
| terça, 18 de março de 2008 | |
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Em 1797 um impressor francês, monsieur François Didot, criou um processo que permitia reproduzir indefinidamente uma mesma imagem a partir de um molde tridimensional. Monsieur Didot chamou seu processo de stéréotypie, a partir de duas palavras gregas: typos, ‘imagem’ e stereos, ‘sólido’. A invenção foi imediatamente adotada pela Igreja Católica, até então dependente, para a produção de imagens de santos, do talento de escultores de plantão em suas paróquias espalhadas pelo mundo. Com o advento da estereotipia, a partir de um molde padrão aprovado pelo Vaticano, a um custo muito mais baixo e com resultados muito mais convincentes (como é de se supor, antes o mesmo santo jamais tinha a mesma cara em duas paróquias diferentes), uma imagem poderia ser reproduzida fielmente e em qualquer quantidade. O processo de estereotipia resolveu o problema das imagens de gesso. E não demorou muito para ser adaptado à imagem das pessoas. A partir do século XIX, as ciências relacionadas ao comportamento humano passaram a definir como ‘estereótipos’ aquelas características de uma pessoa que são válidas para todo o grupo a que ela pertence. Até aí, tudo bem. Ruim é quando se reduz um grupo inteiro a meia dúzia de características básicas, esquecendo as diferenças individuais. O ‘português da piada’, por exemplo, é um estereótipo negativo. ‘Esses políticos aí’, no sentido de ‘esses políticos aí’ é outro, porque existem políticos atuantes e realmente preocupados com o povo. Meu pai até me falou de um, mas já esqueci o nome dele, porque isso faz uns trinta anos. Nós brasileiros somos estereotipados pelos americanos, porque o povo de lá pensa que nós somos selvagens incultos, o que faz a gente ter vontade de flechá-los e fritá-los num caldeirão de óleo fervendo. Por outro lado, eu dizer ‘os americanos’ também é um estereótipo, já que nem todos os americanos nos acham incultos e selvagens, mas apenas uma minoria: 18% da população. Os 82% restantes ignoram que o Brasil existe. As empresas são um campo fértil para o florescimento de estereótipos. “Os empregados só reclamam”, por exemplo. Não são todos os empregados que reclamam, mas apenas os que têm razão e que, casualmente, são todos. Mas há um aspecto interessante na relação estereotipada entre funcionário e empresa. Quando a empresa precisa de um esforço que vai além do que está previsto no Contrato de Trabalho do funcionário, ela o individualiza e personaliza: ‘Você faz a diferença’ ou ‘Você é único’. Só que a coisa não funciona do mesmo jeito no sentido inverso: Portanto, ‘Você é único’, mas você não é ‘o’ único. E isso me lembra de uma historinha que parece piada, mas aconteceu. Uma empresa em que trabalhei contratava temporários. E dava a eles uniformes e bonés. O Departamento de Compras avisou que conseguiria um desconto incrível – coisa de 50% - num lote de bonés, só que tinha um problema: todos os bonés eram de tamanho ‘P’. E a Diretoria decidiu só contratar temporários com cabeça pequena. Ao preferir o tamanho das cabeças ao conteúdo delas, a empresa perdeu a chance de ter os melhores temporários, cometendo o engano da administração por estereótipos: quanto mais se tenta reduzir todos a um, tanto mais aumenta a mediocridade geral. |
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